John Crosley

quinta-feira, 1 de março de 2012

Davy Jones (1945 – 2012) - The Monkees

Leonardo Vinicius Jorge - Pipoca Moderna

Morreu aos 66 anos, vítima de ataque cardíaco, o ator e cantor Davy Jones, ex-integrante da banda The Monkees. O grupo musical, criado na verdade para estrelar uma série de televisão, rivalizou com os Beatles e os Rolling Stones a atenção do público nos anos 1960. A popularidade de Jones era tamanha que o outro músico também chamado David Jones precisou usar o nome artístico para David Bowie para seguir carreira. Jones sentiu fortes dores no peito na manhã de quarta (29/2) e foi encaminhado para o hospital, onde faleceu no mesmo dia.

“É um dia triste para mim”, lamentou o cineasta Bob Rafelson, co-criador da banda ao lado do produtor Bert Schneider. “Davy e eu crescemos juntos e compartilhamos o sucesso singular que foi o fenômeno Monkees. Ele era o irmão que nunca tive e isso deixa um buraco gigantesco no meu coração”, comentou o colega Micky Dolenz, por meio de uma nota para a imprensa. Os outros dois integrantes do Monkees lamentaram a morte de Jones por meio do Facebook: “O espírito de Davy e sua alma estão vivos em meu coração. Desejo a ele uma viagem segura”, escreveu Michael Nesmith. Peter Tork despediu-se com mais intimidade: “Seu talento fará muita falta; seus dons estarão sempre conosco. Adiós, para o vaqueiro de Manchester”.

Jones nasceu em Openshaw, Manchester, em 30 de dezembro de 1945 e, desde pequeno, ficou dividido entre duas paixões: a arte de interpretar e a emoção de cavalgar. Quando adolescente, participou de programas de rádio, seriados televisivos e novelas britânicas (como a “BBC Sunday-Night Play”, em 1960, “Coronation Street”, em 1961, e “Z Cars”, em 1962), mas desistiu da carreira e decidiu ser jockey após a morte de sua mãe.

O jovem arriscou-se mais uma vez nos palcos ao aceitar o papel de Artful Dodger no musical “Oliver!”, peça que mudaria sua vida para sempre. O espetáculo foi um sucesso de público, ficou em cartaz por um ano e sete meses, e foi transferida para a Broadway, além de render a Jones uma indicação ao prêmio Tony, aos 17 anos.
Peter Tork, Davy Jones, Mike Nesmith, Micky Dolenz: The Monkees 
Em 1964, o elenco da peça foi convidado a participar do famoso programa televisivo The Ed Sullivan Show e Jones ficou surpreso com o barulho, o êxtase, a loucura proporcionada pelas fãs dos outros convidados presentes: os Beatles, que estreavam nos EUA. “Eu pensei: ‘É isso que acontece quando você é um cantor pop? Eu quero ser parte disso!’”, confessou Jones durante uma entrevista em 2004.

Sua carreira, definitivamente, começaria a ascender. Um dos olheiros do departamento televisivo da Columbia assistiu ao programa de Sullivan e contratou o jovem ator de 18 anos para participar de pequenas produções do estúdio, como “Ben Casey” (1965) e “The Farmer’s Daughter” (1966).

A série Os Monkees
Tudo mudaria quando ele se candidatou, ao lado de centenas de outros jovens, para um teste proporcionado por Rafelson e Schneider, dois produtores que ganhavam cada vez mais força nos bastidores de Hollywood. Eram os tempos da contracultura e a dupla de produtores sacou que, se não podiam comprar os Beatles, criariam a sua própria versão. Nascia em 1966 The Monkees, uma banda fictícia que estrelaria uma série de TV.

Os americanos reservaram as noites de segunda-feira para assistirem as histórias do grupo musical que, quando não estava nos palcos, se metia em aventuras completamente nonsense. O sucesso foi explosivo – de público, não de crítica. Músicos e artistas ridicularizavam o fenômeno, afinal os atores apenas faziam playback na série, já que os instrumentos eram tocados por profissionais. Ainda assim, músicas como “I’m a Believer” e “Daydream Believer” alcançaram o topo das paradas. E Jones, o único inglês do grupo, tomava a frente dos Monkees, aumentando a semelhança com os Beatles.

Com o prêmio Emmy de Melhor Série Musical ou de Comédia

A série durou dois anos e conquistou dois Emmys (Melhor Série de Comédia e de Direção, James Frawley), e a banda gravou nove álbuns, vendendo ao todo 65 milhões de discos. Eles chegaram a ter o próprio longa-metragem, “Os Monkees Estão Soltos” (Head, de 1968), escrito por Jack Nicholson e por Rafelson, que também dirigiu.

Mas tão meteórica quanto a ascensão, também foi o declínio da banda. Com o sucesso, os atores/músicos tentavam cada vez mais serem autorais e fugir do controle dos produtores, que conduziam firmemente a carreira do grupo. A era pop dos Beatles desaguou na psicodelia. A série ficou datada, foi cancelada e o filme, que tentava ser uma resposta ao final da década, com participação até de Frank Zappa, provou-se vanguardista demais para os fãs da banda.

Nos bastidores do filme Os Monkees Estão Soltos, com Jack Nicholson 
Eles queriam tocar seus instrumentos e compôr suas próprias músicas. Motivados pelo atrito, criaram as músicas mais elaboradas de suas carreiras, provando seu talento real, mas a um alto preço – a ausência de novos hits.

Desentendimentos forçaram a saída de Tork em 1968 e, pouco depois, Nesmith também saiu. The Monkees foi dissolvido oficialmente no início dos anos 1970, mas houve uma tentativa de ressuscitá-lo entre 1986 e 1989, com o surgimento da MTV, que reprisou a série e gerou um novo interesse sobre a banda. Entre 1993 e 1997, os integrantes voltaram a se reunir e gravaram o especial para TV “Hey, Hey, É o Monkees” (1997). Houve um novo encontro em 2001 e outro em 2011.

Jones seguiu carreira solo após a década de 1970 e conseguiu emplacar o hit “Rainy Jane”, realizando diversas turnês e apresentando-se com músicas originais e dos Monkees. Porém nunca repetiu o mesmo nível de sucesso.

Ele também fez diversas aparições em programas televisivos, como “A Família Brady” (em 1971, no papel dele mesmo) e “My Two Dads” (1995). Ele ainda fez uma participação especial no longa “A Família Sol, Lá, Si, Dó” (1995), baseado na série “A Família Brady”, e estava no elenco de “Jackie Goldberg, Private Dick”, comédia em fase de pós-produção, na qual interpreta, novamente, a si mesmo.

O reencontro dos Monkees nos anos 1990
Davy Jones foi casado por três vezes, sendo a primeira ainda em 1967, durante a época do seriado The Monkees. Ele manteve a relação matrimonial com Linda Haines em segredo, como forma de manter a popularidade entre as fãs. Quando descoberto, o fato causou um enorme impacto em sua carreira – as fãs, decepcionadas, o acusaram de traição. Após divorciar-se de Linda, com quem teve duas filhas, Jones casou-se com Anita Pollinger, ex-coelhinha da Playboy, em 1982. Ele teve mais duas filhas, porém divorciou-se em 1996.

Em 2009, Jones casou com a atriz Jessica Pacheco, com quem vivia num rancho, criando cavalos.

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Nota do blog: O vídeo abaixo trás boas reminiscências de minha infância e de muita gente.

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